Diz o ditado popular que “o diabo mora é nos detalhes”. O relato de Mônica Moura ao Ministério Público em sua delação premiada, já homologada, é repleta de detalhes que ampliam a credibilidade da narrativa e deixam a situação da ex-presidente Dilma Rousseff muito complicada, sob a acusação de tentativa de obstrução de Justiça.

Mônica Moura contou, por exemplo, que a então presidente, preocupada com o avanço das investigações da Operação Lava-Jato, a chamou a Brasília e juntas, num encontro no Palácio da Alvorada, decidiram combinar uma forma de comunicação que estivesse protegida com sigilo.

Por este meio, ela poderia avisar o casal dos passos das investigações – ou que estava sendo transmitido a ela pelo então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Cardozo confirmou que, por dever de ofício, comunicava a presidente das ações da Polícia Federal.

É aí que um detalhe até pitoresco é revelador: Mônica Moura conta que propôs abrir uma conta de e-mail compartilhada com Dilma, para que as duas acessassem pela gaveta de rascunho, sem que a comunicação entrasse na web. Coube a Dilma escolher o nome e a senha. E ela escolheu iolanda2606 e a senha com o número 47, que é o ano de nascimento da ex-presidente.

Dilma já fez escolha de nomes femininos em outras ocasiões. Recentemente, disse que ao atender ligações telefônicas em casa de quem não conhece, se apresenta como “Janete”.

Na principal mensagem que enviou ao casal para advertir da aproximação das investigações às contas deles no exterior, Dilma fez referência a uma linguagem que era usada pelos opositores da ditadura que chamava a prisão de “hospital”.

Na mensagem, Dilma diz que “o amigo está muito mal, indo para o hospital e, o pior, a mulher dele que cuidava dele, também doente”. Mônica Moura entendeu que o aviso de que ela e João Santana seriam presos – o que aconteceu.